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Sou Dama da noite, sanguessuga,
onde sem medo, sugo minha própria vida,
retirando-me as rugas.
Mantendo o dorso ereto,
numa postura discreta sugestiva.
Fujo do lixo do universo,
antes que ele me engula ou saliva-me ,
levando-me para o submundo... Limbo!
Vejo a morte como companheira
na perseguição de minha sombra,
que em minha amargura,
tripudia e sucumbe a alma minha.
Sangue sujo nas chagas tuas,
nas memorias de uma donzela impura.
Entre o desespero e a aflição,
com o rosto sem mascaras,
tento viver minha vida sem mentiras.
Qual fogo que arde na minha sina
onde encontro, em meus pensamentos,
a dose certa de morfina...
Que derramada em meus lábios,
exterminará a minha vida!
Sim! Fui sugada pelo meu próprio
magnetismo, meu reflexo no espelho,
onde roubo de mim, a minha melancolia,
transformando em muitas melodias.
E num ultimo e fraco suspiro,
no silencio, paro de pensar...
Entregando-me a ultima dança,
onde a própria alma exaltada,
liberta-se sem castigos.
Saio a noite, por entre as sombras,
para embriagar-me de outras canções,
que não as minhas.
Simbiose curta...
A noite chega, escura e fria,
cresce-me a vontade da solidão
na minha incansável tortura,
monto uma nova coreografia.
Danço entre monstros e vampiros,
para apoderar-me de outras almas...
Sanguessuga maldita!
Nesse momento, trepida o fogo
que consome meu corpo...
Sem marcas, sem feridas.
Total é o desconforto,
mas não expresso dor.
Apenas, agarro-me a minha sina...
Escondo-me na luz da Lua,
sombra imunda!
E na canção da minha morte,
escreverei na lapide:
Fim dos versos, fim de tudo...
Poesia sem final feliz!!
(Rosa de Sampa)