Foto: Google
Como menina mulher,
cavalguei pelo teu corpo.
Me envolvi em teus sonhos...
Me completei em teus delírios!
Conforto...
Centrada em tua alma,
senti emoções perdidas, aflitas.
Colada em teu corpo, selvagem e puro,
me vi montada em tua vida.
Através de teu olhar,
mirei a tua face, teu semblante.
Uma pele dura, firme, sombria...
Sofrida!
Em teus olhos, em tua boca...
Senti o beijo doce e molhado,
me afastei bruscamente,
ao ouvir tua voz macia, convidativa.
Pecado!
Mas me vi fugindo, com certa amargura,
dos teus gestos frios, impuros...
Insanos...Não santo!
Tortura...
Tuas unhas bem tratadas,
teus pelos bem cuidados,
arranharam minha alma,
com profundidade, sem maldade.
Ficaram encravadas em minha mente,
como palito fino, delgado...
Machucado.
Um cavalo de pau de madeira fina,
casco duro, gozo puro...Pleno!
Mal acabado...
Não tente entender minhas palavras.
Me escondo nas entrelinhas,
diante de tuas juras,
perdidas em versos toscos.
Sem rima e sem jeito...
Burlesco!
Você me teve por inteira...
Eu te deixei pela metade.
E, nas linhas confusas desse poema,
te deixo livre, a vontade...
Sem saudades!
-Rosa de Sampa-



